Pesquisas eleitorais · Pré-registro · Eleições 2026
Em 2022 o Bolsonaro caiu nas pesquisas e subiu no resultado. Ninguém viu.
Pré-registro de seis previsões sobre o primeiro turno de 2026, publicado três dias antes da votação.
Análise fechada em . Publicada em , três dias antes do primeiro turno de domingo, 4 de outubro de 2026.
Isso me pegou de surpresa. E se o que aconteceu em 2022 se repetir, domingo pode terminar perto de 46 a 43 para o Flávio, somando o erro histórico das pesquisas com a migração de última hora dos candidatos menores. Esse é o cenário mais agressivo da minha conta, não o mais provável. Guarde o número e me cobre na segunda.
Rodei 150 pesquisas de 2022 e 39 de setembro deste ano atrás de uma coisa simples: onde a pesquisa erra. A provocação veio de um vídeo do Pedro Dória no Canal Meio, em 30 de setembro, sobre o chamado antipetismo de chegada, a ideia de que quem decide o voto por último historicamente aparece mais forte na urna do que apareceu na pesquisa.
Fui atrás do número e achei o contrário do que esperava. Entre o começo de setembro e a véspera da eleição de 2022, nos institutos que mediram nas duas pontas, Bolsonaro caiu 1,1 ponto nas pesquisas. Na urna, ele tinha subido 4,8. O movimento inteiro ficou escondido no intervalo que nenhuma pesquisa cobre, entre a última medição e o voto. Ali ele ganhou 5,9 pontos, os candidatos menores perderam 5,5, e o Lula ficou parado. Quase um pra um.
O pouco que apareceu na pesquisa foi pro lado errado da minha hipótese. Durante o mês de setembro de 2022 os candidatos menores já vinham encolhendo, 1,3 ponto, só que quem ficou com isso foi o Lula, não o Bolsonaro. O voto útil que o debate público passa a campanha inteira tentando acompanhar existiu, foi pequeno, e andou na direção oposta à que decidiu a eleição.
E não é gente decidindo na última hora. Comparei institutos que fecharam pesquisa na véspera com os que fecharam quatro dias antes ou mais. Se fosse mudança de última hora, medir mais perto da urna devia ajudar. Não ajudou: o erro dos dois grupos ficou quase igual, 6,4 contra 5,5 pontos. Sobra a explicação que ninguém gosta, eleitor que não declara o voto. E o teste que resolveria isso, boca de urna, não existe mais no Brasil. Nenhum instituto fez em 2022. Nada indica que vai fazer agora.
Hoje os candidatos menores somam 16,4 pontos, mais do que tinham em 2022. Se a fração que migrou naquele ano se repetir, o Flávio aparece nas pesquisas de hoje abaixo do que teria na urna, mediana de 3,5 pontos, podendo chegar a 6,3. Mesmo no extremo dessa conta ninguém passa de 50% dos votos válidos. Faltam quase 4 pontos. Pra fechar de vez no domingo seria preciso que quase todo esse estoque de 16,4 pontos saísse pra um lado só, porque 40,1 mais 16,4 dá 56,5. Em 2022 saiu 40% dele, não tudo.
E essa correção não se reparte igual entre os dois. Em 2022, quase 80% dela foi somar no Bolsonaro e só 20% foi tirar do Lula. Ele apareceu nas pesquisas 5 pontos abaixo do que teve na urna, e o Lula 1,4 acima. Os dois erros empurravam pro mesmo lado, só que o de baixo era quatro vezes maior.
Em número, pra não ficar abstrato. As 39 pesquisas de setembro dão hoje Lula com 43,5% dos votos válidos e Flávio com 40,1%, e os outros candidatos somados com 16,4%. Aplicando a correção mediana, vira Lula 42,5 e Flávio 43,6, com 6,4 pontos ainda faltando pra qualquer um fechar no domingo. No extremo da conta, Flávio vai a 46,4 e ainda faltam 3,6.
Quem chega na frente eu não cravo. Depende de uma escolha chata: se você mede o erro histórico comparando a última pesquisa de 2022 com a urna, ou comparando as de setembro daquele ano com a urna. As duas são defensáveis. Pela primeira, o Flávio termina 1,5 ponto na frente. Pela segunda, o Lula fica 0,7 na frente. É pouco pra apostar em quem ganha. O que não muda com a conta é o tamanho do ajuste, sempre relevante, e o fato de que nas três últimas eleições o antipetista saiu subestimado: quase 10 pontos em 2014, 4,3 em 2018, 5 em 2022.
Nada disso leva em conta política, economia ou o que acontece na vida das pessoas. O que estou olhando é outra coisa: uma dificuldade de medir intenção de voto que vem se acumulando desde 2014, e que piora. Quando o TSE liberar a massa de dados desta eleição, dá pra fechar bem melhor. É um modelo analítico sobre pesquisas de terceiros, não é pesquisa eleitoral, não substitui o que está registrado no TSE, e eu não fiz coleta própria nenhuma.
Tenho uma versão bem mais completa e técnica disso, com a grade de 24 estimativas da margem, as fontes abertas e as seis previsões que travei antes do resultado, cada uma com o critério numérico que a mata. Está congelada desde ontem e eu mando pra quem quiser.
Na segunda eu rodo os testes. São quatro: se o consenso errou menos que a pesquisa mediana, se o nível de cada instituto em setembro previu o erro dele, se o estoque dos menores encolheu de novo mais no escuro do que na luz, e se dá pra arbitrar entre duas medições de renda que hoje se contradizem em 30 pontos. É essa a análise que me interessa, e ela só existe porque o texto está travado antes.
Versão completa
Com toda a metodologia, a grade de 24 estimativas, os testes que foram descartados e o pré-registro das seis previsões.