Pesquisas eleitorais · Placar · Eleições 2026

Cravei 46 a 43 para o Flávio. A urna deu 47,04 a 45,15.

O placar do pré-registro de 1º de outubro contra a urna do primeiro turno: o número, a grade de cenários e o que errei.

Análise de , com o snapshot do TSE daquele dia. Publicada em , um dia depois do primeiro turno.

Este é o placar do pré-registro publicado em 1º de outubro: ler o artigo original.

Em 1º de outubro eu escrevi que, se o que aconteceu em 2022 se repetisse, o domingo podia terminar perto de 46 a 43 para o Flávio. Disse que era o cenário mais agressivo da minha conta, não o mais provável. E pedi: guarde o número e me cobre na segunda.

Está cobrado. Este texto é o placar. O artigo longo continua existindo para quem quiser a metodologia.

O número

previsto em 1/10urnaerro
Flávio Bolsonaro4647,041,04
Lula4345,152,15
Margem a favor do Flávio3,01,891,11

Os dois candidatos ficaram acima do que eu escrevi. O Flávio ficou a pouco mais de um ponto do que eu escrevi. O Lula, a mais de dois.

Uma ressalva, uma vez só. O resultado que uso é o snapshot do TSE de 4 de outubro, às 22h57, com 99,97% das seções totalizadas. É parcial. Para P1 e P2, testei o pior caso nas seções que faltam e a classificação não muda. Quando o TSE fechar, eu rerodo e arquivo o novo número ao lado deste.

Para o contexto: comparecimento de 78,92%, abstenção de 21,08%, acima dos 20,95% de 2022. Os outros candidatos somaram 7,81% dos válidos: Augusto Cury 2,89%, Renan Santos 2,24%, Ronaldo Caiado 2,18%, Zema 0,27%, e mais seis candidaturas com 0,22% juntas.

A grade inteira

O 46 a 43 era a ponta da minha conta. A conta tinha quatro pontos, todos congelados em 1º de outubro. Em votos válidos:

cenário de 1/10LulaFlávioerro de margem
pesquisa crua de setembro43,540,15,29
correção mediana, 3,5 p.p.42,543,60,79
correção extrema, 6,3 p.p.41,746,4−2,81
cenário agressivo, 46 a 434346−1,11
urna45,1547,04

Sinal positivo no erro: o cenário favorecia o Lula mais do que a urna. Negativo: favorecia o Flávio mais.

A pesquisa crua errou a margem em 5,29 pontos. A correção mediana errou em 0,79. A correção extrema passou do ponto e errou 2,81 para o outro lado. A mediana ganhou da ponta. O 46 a 43, que eu chamei de agressivo, ficou mais perto da urna do que o extremo e mais longe do que a mediana.

(Um detalhe de conferência: a grade usa os níveis arredondados, 43,5 e 40,1, e dá 5,29. O teste de P1 e P2, mais abaixo, usa a média das 39 margens e dá 5,24. É a mesma pesquisa em duas contas.)

De onde veio

Os candidatos menores somavam 16,4 pontos nas pesquisas de setembro. Nas urnas saíram 8,59 desses pontos, 52% do estoque. Em 2022 saiu 40%.

Contra a pesquisa crua, o Flávio foi subestimado em 6,94 pontos, o Lula em 1,65, e os menores foram superestimados em 8,59. Dos pontos que saíram dos menores, 81% viraram voto do Flávio e 19% viraram voto do Lula. Em 2022 a proporção foi 78 contra 22.

A razão bateu. O mecanismo, como se vê abaixo, não.

O que errei, sem suavizar

Eu previ o Lula superestimado. Ele foi subestimado em 1,65 ponto. Os dois cresceram em relação à pesquisa. Ninguém perdeu voto.

A proporção 78/22 quase se repetiu em 81/19, mas por outro mecanismo. Em 2022 parte do ajuste vinha de o Lula ter sido medido acima da urna. Em 2026 tudo veio do estoque dos menores desabando, e nada veio do Lula. Acertar a razão pelo motivo errado é acerto frágil. Não vou usar essa coincidência como prova de nada.

As seis hipóteses

Antes do resultado eu congelei seis previsões, cada uma com o critério numérico que a mata. Aqui está o que aconteceu com cada uma.

#hipótesesituação
P1O consenso das 39 pesquisas erra menos que a pesquisa medianamorreu. Erro 5,2403 contra 5,1851. Empate técnico, e o critério exigia ganhar
P2O erro do consenso fica abaixo de 3,5 pontos de margemmorreu. 5,2403, acima do corte que eu mesmo fixei
P3O nível de cada instituto em setembro prediz o erro delenão calculada
P4O viés comum de 2026 tem o mesmo sinal de 2022confirmada, com a ressalva abaixo
P5O gradiente municipal de renda bate com uma das duas mediçõesnão adjudicável. O critério não discrimina
P6Os menores encolhem mais no fim do que no começonão testável como escrita

Placar: uma confirmada, duas mortas, três sem resposta. E das três sem resposta, duas nem eram respondíveis quando eu as escrevi: P5, porque a regra não discrimina, e P6, porque pedia duas ondas por instituto numa janela que só tem uma.

Sobre P4, preciso ser claro. Meu critério dizia que a hipótese se confirmava se o consenso superestimasse o PT, e não dizia em quê. Em margem, confirma: a pesquisa dava Lula à frente por 3,4 e a urna deu Flávio à frente por 1,89. Em nível, refuta: o Lula apareceu com 43,5 e teve 45,15. As duas leituras eram defensáveis. Em 4 de outubro, já com o resultado na mão, eu decidi que vale a leitura em margem. A decisão é minha, foi tomada depois da urna, e está registrada com data em arquivo separado. Quem lê pode descontar. Se descontar, o placar é zero confirmadas.

Isso não autoriza reler as outras. P1 e P2 morreram e continuam mortas. P6 é erro de desenho meu: o critério pedia duas ondas por instituto numa janela onde só existe uma, então nunca poderia ser testado. P5 perguntava se o gradiente municipal de renda batia com o sinal de exatamente uma das duas medições de pesquisa. As duas têm sinais opostos, então qualquer gradiente diferente de zero satisfaz a regra. Ela não testa nada. Também erro de desenho meu.

A conclusão

O consenso cru falhou e a correção que propus funcionou.

A pesquisa agregada, sozinha, errou 5,29 pontos de margem. Com o ajuste histórico de 3,5 pontos, errou 0,79. O extremo de 6,3 passou do ponto. O que sobrevive deste exercício é isso: ajustar o consenso por um erro histórico de uma eleição passada deu uma resposta bem melhor do que o consenso. E o ajuste mediano deu melhor do que o ajuste agressivo.

A ponta da conta, o número que eu chamei de cenário mais agressivo, ficou a um ponto do Flávio. É um bom resultado para um cenário que eu disse que não era o mais provável. Não é um bom resultado para eu me gabar, porque a hipótese que sustentava o consenso morreu, e o Lula foi para onde eu não previ.

Segundo turno

A eleição se repete em 25 de outubro. Vou repetir a mesma análise, e já estou estudando as metodologias e os pontos de erro possíveis, em separado.

Dois compromissos. Primeiro, congelo o texto antes da urna de novo. É isso que dá valor ao exercício: um número com data, publicado antes, que dá para cobrar. Segundo, todo critério vai nomear a grandeza que mede, margem ou nível, e sobre qual denominador. Se um critério precisa de escolha depois do resultado, ele não está pré-registrado.

Uma coisa deixo como hipótese a testar, não como previsão. No segundo turno não existe mais estoque de candidatos menores para migrar. Se o viés das pesquisas persistir sem esse estoque, a explicação de não resposta fica mais forte. Se sumir, o erro morava no estoque. Em qualquer dos casos, o resultado diz algo. É por isso que vale congelar antes.

Sobre quem leva, eu não cravo nada.

Versão técnica

Com a decomposição do erro, a armadilha de base de 2018, a grade de 24 estimativas e o placar dos seis critérios, um a um.

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